Páginas

terça-feira, 23 de julho de 2013

Delirei Versos - Três

Alcanço antes de ir embora.
Agarro pela sujeira dos pés.
Deslizo pelo seu corpo inteiro.
Para arrancar sua cabeça com os dentes.
Porque sou fraca, mas não sou frágil.
Sou doce, mas não sou dócil.
Sou vulgar, mas não sou vil.
É errando que se acerta.
Eu sou um erro.
E me exerço bem.
O bastante pra correr.
Com os calcanhares abertos.
Saber de algumas coisas, me conhecer no intimo, as vezes me da um pouco de receio em falar. Falar de mim, saber de coisas sobre mim, sobre o que eu penso ou sobre o que eu faço, que se ditas em voz alta. Tenho medo de ter a confirmação de que sou única, não de um jeito bom, não de um jeito especial. Sou única de um jeito, que faz com que eu não me encaixe em nada, que eu já tenha visto até hoje. Por mais que eu tenha me espremido, tentando caber nas coisas.
Única de um jeito que eu sei, que nunca vou fazer parte de nada, não inteiramente, nem perfeitamente.
Mas te ouvir falar, e saber que você ouve o que eu digo. Me faz querer pensar em me espremer mais um pouquinho. Pra te ouvir de uma maneira mais próxima e única.
Única de uma maneira menos nociva, única de uma maneira minha. Saber que sou ouvida é um sorriso insano no meio de uma crise de choro. Um único sorriso insano.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Não tenho duvidas, sei que Deus não atendeu minhas preces, porque rezei pro mundo acabar.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Delirei Versos - Dois

Sou uma santa de sangue.
Eu tenho que sangrar pra um milagre acontecer.
Tudo que me fere, é sagrado.
Depois de tanto seca.
Sangrar é milagre e santo.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Kali

Me tornei uma péssima companhia, mais do que o normal, mais do que o habitual. Atualmente, ando ausente de mim. E tudo que digo ou faço, tem um grito vazio e silencioso, de quem não se pertence.
 Não me reconheço no espelho, não me reconheço em espirito.
Eu ando acorrentada a muita coisa, feri meus tornozelos nas correntes, feri meus pulsos nas algemas.
Meu andar é mais lento, meus olhos mais secos, meus lábios mais largos, meu sorriso mais caos. Meus sonhos, mais distantes. Tão distantes quanto eu, que estou ausente.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Eu era mais fresca ontem, era mais leve, era mais suave. Mas o sol nasceu, tem nascido por anos, e esquenta, e seca. Hoje eu estou mais seca.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Calculadora

Acho que é isso, no fim das contas, é só um amontoado de sonhos absurdos, que quebram com facilidade. Como todo o resto das coisas, que o ser humano inventa. É uma invenção, que agente cria pra sofrer, e preencher um vazio que existi lá desde que o mundo é mundo. Mas que agente deu um nome a pouco tempo e acha que inventou.
- Porque você foi embora?
- Eu não me sentia mais aqui.
- Você ma abandonou.
- Eu me senti abandonada, com você, me abandonou do seu lado.Não estava aqui, a muito tempo e você só percebeu, quando eu fui embora.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Não posso dar nome a minha dor, não posso dar rosto a minha dor. Não posso oferecer frestas nem cantos, nem compartimentos, nem canções. Não posso alimentar nem cuidar da minha dor. Vou manter minha dor indigente, vou manter minha dor desabrigada. Por que ela volta, sempre volta. Mesmo sem ter pra onde voltar. Minha dor me deixa e volta.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Não doí tanto no fim das contas, é que que de tanto fingir que sou invulnerável, as pessoas tentam arrancar partes do meu corpo. E no fim das contas, deve valer apena esse esforço que fazem pra achar desculpas e motivos pra se livrar de mim.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Cotidiano

Gosto de pensar que esbarrei em você e não pedi desculpas. Justifica a cara amarrada. Não me desculpei, para não me entregar ao impulso moral, e admitir a culpa de um acidente.
Se voltei seus alhos a mim foi por acidente, eu sei, acontecem. E no fim, eu sei do obvio, só fico me perguntando, por que você pensa que deve me avisar dessas coisas? Dessa coisa de que não existe semelhança entre nos dois. Eu sei disso, é obvio.
 Talvez devia ter lhe avisado pra olhar pra frente, acidentes acontecem, mas podem ser evitados. Foi sem intenção que esbarrei em você, sem intenção nenhuma. Posso me isentar de qualquer culpa e seguir a diante, o encontrão que demos na calçada, é coisa de cidade grande e de gente com pressa.
Pra evitar mais inconvenientes, vou até o próximo farol, atravessar a rua.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Delirei - Treze

 Tem decisões que são tomadas, com a participação de todo o meu corpo.E foi isso que aconteceu, me decidi.
 Meu corpo inteiro me gritou a resposta. Eu tenho uma certeza que levo comigo, uma coisa tão incontestável, que consegui convencer todo o meu corpo, menos o coração. Meu coração é piada nas conversas mais ocultas, é o tolo de ideias abstratas, nunca deve ser levado a serio.
 Todo o meu corpo sabe disso.
 Quando tomei essa decisão, tentei ser gentil com ele, e tentar convence-lo da verdade, mais uma vez. Ele não me ouve, é furioso, independente, desfigurado e teimoso de mais pra me ouvir.
 Fiz por ele, pra proteger a minha parte mais autônoma, das frustrações do meu corpo.
 Mas ele sempre toma a linha de frente, e leva as surras.
 Leva por mim e pelo resto do meu corpo, ele leva surras pra proteger minhas certezas.
 A parte mais fragil de mim que deveria ser protegida, mas eu a exclui das minhas decições, pois não a entendo, não concordo e estou inteiramente certa nisso.
 Falhei em mantê-lo seguro, se o tivesse ouvido, teria falhado do mesmo modo. Mas teria falhado com todo o meu corpo.
 Ele sofre sozinho de qualquer maneira. Nenhuma epifania pode mudar isso.
 É teimoso de mais pra ver a verdade, eu sou teimosa de mais pra ouvir meu coração, e mesmo estando certa desde o inicio, falhei.
  Se estivesse errada, teria falhado em dobro, e no fim era o que eu queria, eu queria estar errada de todo o meu coração. Mas no fim, tomei a decisão certa.
  E ele tomou a linha de frente, foi atingido, e o fez por inteiro.
  Eu falhei por estar certa, totalmente certa, com todo o meu corpo, menos com meu coração.
  Mas o resto do meu corpo não tem essa inocência tola, meu corpo não para pra socorrer os feridos!

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Rainda do Drama, Discurso

Mandei que levantassem a muralha, meu muro dos segredos, foi fácil erguer. Um segredo chama outros segredos, até chegar num ponto onde você se cerca de uma parede bem sólida, um lugar seguro. Mas infelizmente não estávamos totalmente seguros. Um mal se infiltrou, se vestiu como nós, falou como nós e ganhou minha confiança. E se revelou tarde de mais, como uma ideia.  Essa ideia, sabendo que segredos são cercados de mentiras, que segredos dependem delas. Tentou me cegar, mas agora enxergo mais do que nunca que essas mentiras me são inteiramente leais.
 Essa ideia maligna, me fez acreditar que no principio minhas mentiras parecem  inofensivas, uteis, parecem usuais e controláveis. Mas que estariam tramando tomar o controle do meu reino. Criatura perversa. Agora mais do que nunca sei que mentiras protegem os portões com perfeição, e tudo que pediram, foi estar perto dos meus segredos, se alimentarem dessa proximidade e assim protege-los, e a todos nós. Foi o tempo, que uma ideia traidora, me fez pensar que minhas mentiras. Se tornariam grandes e nocivas de mais, ao ponto de comandarem meu reino. Essa ideia me prendeu em uma cela, uma cela de uma falsa segurança, uma ideia falsa de uma segurança que nunca existiu. Eu me sentia segura, aponto de pensar em deixar essas mentiras morrem de fome.
 Mas as mentiras se organizaram, me mostraram sua lealdade, enganaram a ideia falsa. Abriram o caminho de volta, e tornaram possível a recuperação da coroa que me é de direito!
 Cai para fora daquela falsa sensação de segurança. E apesar dos ossos quebrados, da agua derramada, aqui esta ela, a Falsa Ideia derrotada, gritando palavras malignas.
 Ela vai dizer que as vezes é nocivo, acreditar na segurança de suas mentiras, dizer que você em algum momento, ameaçou a segurança dos seus segredos a partir do momento que os deixou viver. E que você pode, e vai se sentir mal, por correr o risco de perder algo tão nocivo! Mas uma lição foi aprendida, de que falsas ideias vão tentar se infiltrar e derrubar minhas mentiras. A lição foi aprendida, e não cairei mas nessa armadilha.
Peço perdão a todos os segredos que eu gostaria de expurgar. Por acreditar na visão corrupta dessa ideia. Estava fora da minha rasão, e serram compensados por todo risco que correram. E essa lição vou levar pro resto da minha vida, até o fim do meu reinado, a lição valorosa de que toda sensação de segurança é falsa, extremamente falsa! Que minhas mentiras são e sempre serram minhas protetoras. Minha muralha, minha gloria. Baluarte contra qualquer outra ilusão que eu possa vir a enfrentar algum dia. E espero que termos passado por isso, e termos derrotado essa falsa ideia de segurança. Sirva como um simbolo pra uma nova era em nosso reino. Uma era de vitorias, de leveza e de segurança, uma segurança verdadeira e sólida.
Regida por minhas fiéis, leais e honradas mentiras, que eu alimentei e vi crescer.
 E que mesmo nos momentos em que me encontrei aflita e cega, por crer em murmúrios malignos dessa falsa ideia, nunca me abandonaram, e sempre acreditaram, e cuidaram de mim, dos segredos e de tudo que há em mim. Vida longa as mentiras!
- Vida longa!

terça-feira, 11 de junho de 2013

Eu preciso ser eu, desesperadamente.
Enfrentar todas as consequências de ser eu.
Todas as complicações de ser eu, de ser erro, eu preciso ser erro.
E todas as consequências do erro.
Enfrentar todas as complicações de errar.
Eu preciso ser eu, errada, consciente, consequente, disposta e viva.
Eu preciso ser viva, desesperadamente.
E enfrentar todas as consequências da vida.
Incluindo a vontade de morrer.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Niilismo não me engole, hoje não, me deixa sonhar, me deixa sonsa, ter certeza de que vai dar certo. Me deixa acreditar que passa, não me acorda, não me diz a verdade, não me faz procurar a verdade. Me ama, me deixa amar, me deixa acreditar no amor e me perder em ilusões pontiagudas. Niilismo, morre, morre por mim, morre!
Morre pros meus sonhos não morrerem. Alguma coisa tende morrer, é regra, leva essa regra contigo e morre! Hoje é dia de luto, de luta. Alguma coisa morre hoje, e tende ser você. Tende ser essa coisa péssima que me traduz. Não quero ser outra de novo, não quero ser caos, não quero. Então morre, que eu mato, mato minhas certezas, mato minhas duvidas, mato minha linha de pensamento. E flutuo cega sem as coisas que você me faz ver. Eu flutuo iludida e feliz, me deixa pensar que flutuo, me deixa pensar que sou feliz.

Cadeia

Repetir os mesmos erros a vida inteira. Os mesmos erros de criança de uma vida de criança. Eu anseio por problemas diferente, por uma preocupação que me distancie o máximo possível dos erros que cometi repetidamente até agora. E um alivio, ao menos desses erros infantis e simples, alivio pra aguentar a vida. Pra ter esperança. Por que a vida é doer, errar, arranhar e liquefazer. E se não lido com meus erros infantis, se repito e se estou presa em uma infinita e repetitiva sequência de erros, e de dores que nunca crescem, nunca evoluem, é o mesmo que morrer jovem.

domingo, 26 de maio de 2013

Sobrenatural

Me enfrento, toda vez que olho seu rosto, sempre que olho em seus olhos. Porque sei quem você é.
Me engasgo com cada palavra doce que me vem à cabeça, engasgo e engulo. E se não fui natural, se não fui de costume, se não fui doce, não sorri. Se não fui gentil, não foi porque não quis.
Foi porque eu não me permiti, porque eu sei quem você é, e não gosto!

domingo, 5 de maio de 2013

Líquidos

Um mundo onde as pessoas prestam mais atenção em indiretas, do que no que você tem pra falar, ou no que você diz diretamente. Um mundo de achismos, deduções indiferentes e descaso com os sentimentos alheios. De esquecimentos subtos, de "deixas pra lá" amontoados de "deixas pra la". E eu rancorosa, memoria seletiva, toda esponja, toda neutra em minhas magoas, inteira preto, absorvendo e envelhecendo, criptografada, me sinto uma flanela, líquida...

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Glacê

Não entendo toda essa adoração ao sol, todo esse amor pelo calor, se a vida, só é vida, porque a terra esfriou depois de um tempo...

Arquivo

Olha pra mim; julga, cataloga e etiqueta, diz um alto e sonoro " se vira" e nega, é o melhor que você faz.
 Ficar de joelhos pra me dizer que estou sozinha, que não posso contar contigo, e vai em bora, nega, é o melhor que você ganha.
Me disse como eu era mais doce, como eu era leve, como eu era ingênoa. E que você não gosta de quem pensa, você não gosta de pensar, na doçura que você não viu morrer. E porque não viu, por que não quis ver?
 Porque negar, é o melhor que você faz.
 É mais, é uma etiqueta, uma negação, é comodo. E você nunca vai se permitir entender. Eu disse as palavras e você viu o que queria ver. Faz parte do que você nega.
Faz parte do que você vê. Eu só visto as etiquetas pra você catalogar, eu só.