Pensar faz minha febre aumentar. Se me perguntarem vou dizer que não
passa de um incomodo; mãos geladas, pele quente, e um calafrio nos
ossos. Um incomodo superficial na carne.
Mas em algum momento, se tornou uma questão existencial.
Como se meu sangue estivesse gelando e a febre o refrigerasse, o gelasse ainda mais.
Sinto
como se algo estivesse atravessando meu corpo, peneirando todo de
sólido em mim, e acordando os líquidos que sempre se mantiveram
líquidos, mesmo eu tentando incansavelmente endurecer.
Como se dentro
de mim houvesse um portal, contido por dois mil cristais de gelo. Onde
uma corrente de ar consume e alimenta folhas ao vento. Sob o calor
intenso do portal viram pó, tanto o vento quanto as folhas.
A febre é
o consumo dos pensamentos que reprimo, o gelo derretendo e escorrendo
pela testa. Vazando da minha mente, coisas que se recusam a solidificar.
A fraqueza nos ossos são os cristais se renovando.
A insônia, a supervisora, que acompanha e acalenta esse consumo.
As
folhas, são minhas questões inacabadas, de outras vidas, que matei,
matei em mim. E das coisas que ando matando todos os dias. Mas evito
tocar no assunto.
Um desmaio de lucidez, que aumenta a minha febre; se paro fico cansada, e se descanso, perco energia.
E
eu queria desesperadamente pensar, me agarrar em um álibi
subconsciente. Dizer ser um delírio da febre; o medo, o ódio, a dor a
insegurança. Dizer ser minhas angustias se consertando. Mas não posso,
virou uma questão existencial. Não posso simplesmente pensar.
Minha
mente transborda e impregna minha essência, até envolver meu corpo, e
ele absorve toda a responsabilidade e sofre. Todo que evito me persegue,
e não sou mais chama, sou combustível.
Liquefaço.
sábado, 2 de novembro de 2013
Dois gumes.
O jeito mais eficaz que encontrei pra me esvaziar, me esclarecer pra mim.
Só dura algumas linhas e não é suficiente.
E tenho ódios que jamais serão esclarecidos, que jamais serão entendidos por ninguém além de mim. Tudo que eu escrevo esta ali pra eu entender. Aos outros ainda existe uma barreira na comunicação, por que ser vista sempre me caussara sensações horríveis.
Independente do que eu faça, verão o pior que a mente humana é capas de imaginar. Porque é da minha natureza ser a pior.
Só dura algumas linhas e não é suficiente.
E tenho ódios que jamais serão esclarecidos, que jamais serão entendidos por ninguém além de mim. Tudo que eu escrevo esta ali pra eu entender. Aos outros ainda existe uma barreira na comunicação, por que ser vista sempre me caussara sensações horríveis.
Independente do que eu faça, verão o pior que a mente humana é capas de imaginar. Porque é da minha natureza ser a pior.
terça-feira, 22 de outubro de 2013
Sã
Queria desabar, no fim das contas. Mas na realidade, não tenho motivos.
Aquele velho clichê absurdo, de tristezas repentinas, que não solto por que não tenho motivos.
A sua existência me deixa triste, o fato de você habitar algum lugar, de falar alguma coisa, o seu andar de um cômodo a outro. Pisoteia todas as angustias repentinas que tenho.
Eu queria poder chorar por isso e sou obrigada a esperar um motivo.
Sinceramente, tenho a consciência de que isso é uma coisa minha, uma inspiração egocêntrica, que me leva a criar uma tristeza, pra fugir de mim. A tentativa desesperada de me sentir, me exercer, me cansar com a maior eficiência do mundo, mesmo eu sendo toda angustia.
Aquele velho clichê absurdo, de tristezas repentinas, que não solto por que não tenho motivos.
A sua existência me deixa triste, o fato de você habitar algum lugar, de falar alguma coisa, o seu andar de um cômodo a outro. Pisoteia todas as angustias repentinas que tenho.
Eu queria poder chorar por isso e sou obrigada a esperar um motivo.
Sinceramente, tenho a consciência de que isso é uma coisa minha, uma inspiração egocêntrica, que me leva a criar uma tristeza, pra fugir de mim. A tentativa desesperada de me sentir, me exercer, me cansar com a maior eficiência do mundo, mesmo eu sendo toda angustia.
terça-feira, 8 de outubro de 2013
Caos.
Não quero um amor pra sempre.
Pra sempre sempre acaba.
Quero amar nunca.
Nunca é infinito.
Nunca continua pela eternidade.
Eternamente jamais.
Pra sempre sempre acaba.
Quero amar nunca.
Nunca é infinito.
Nunca continua pela eternidade.
Eternamente jamais.
Eu tinha que escrever pra registrar.
Essa inquietação em mim, de pena e de ódio.
Essa inquietação minha, de vazio e de esgotamento. Preenchimento de cacos sujos e estopa, cortando a garganta.
Eu não sei se estou no caminho certo, se isso vai levar a algum lugar, se vou cair em terra fofa, ou se vou permanecer inquieta. Mastigando pregos pra depois culpar alguém. Culpar alguém por quem eu sou, culpar alguém por essa inquietação, culpar alguém pelos caquinhos. Vou acabar em caquinhos.
Eu queria ter mais coragem, ter mais certeza, mais força, pra aguentar o pior das consequências disso
disso e das outras coisas.
As consequências de uma vida inteira de ações imprevisíveis.e premeditadas.
Uma vida de falhas, de conclusões falhas e de dor. Explosões de dor furria, e remorso.
Tenho que registrar, que não cedi a pena.,a compaixão, à criatura que sofre escondida por medo de rejeição, a criatura que se revela só pelas frestas.
Não tive compaixão, e por isso estou aqui ainda, ainda suporto ver a criatura sofrer, inquieta.
Essa inquietação em mim, de pena e de ódio.
Essa inquietação minha, de vazio e de esgotamento. Preenchimento de cacos sujos e estopa, cortando a garganta.
Eu não sei se estou no caminho certo, se isso vai levar a algum lugar, se vou cair em terra fofa, ou se vou permanecer inquieta. Mastigando pregos pra depois culpar alguém. Culpar alguém por quem eu sou, culpar alguém por essa inquietação, culpar alguém pelos caquinhos. Vou acabar em caquinhos.
Eu queria ter mais coragem, ter mais certeza, mais força, pra aguentar o pior das consequências disso
disso e das outras coisas.
As consequências de uma vida inteira de ações imprevisíveis.e premeditadas.
Uma vida de falhas, de conclusões falhas e de dor. Explosões de dor furria, e remorso.
Tenho que registrar, que não cedi a pena.,a compaixão, à criatura que sofre escondida por medo de rejeição, a criatura que se revela só pelas frestas.
Não tive compaixão, e por isso estou aqui ainda, ainda suporto ver a criatura sofrer, inquieta.
sexta-feira, 23 de agosto de 2013
Afrodite
Na correria, deixei minha mascara cair.
Abaixei com classe pra pegar.
Cruzando as pernas, sorrindo largo.
Baixei o nível, recuperei a manha.
Com um arranhão pequeno nos joelhos.
De manhã, depois do café.
Achei um arranhão na mascara.
Mudei o personagem.
Ninguém viu.
Se viu, só me viu glamourosa.
Soltando uma mascara no chão.
Abaixei com classe pra pegar.
Cruzando as pernas, sorrindo largo.
Baixei o nível, recuperei a manha.
Com um arranhão pequeno nos joelhos.
De manhã, depois do café.
Achei um arranhão na mascara.
Mudei o personagem.
Ninguém viu.
Se viu, só me viu glamourosa.
Soltando uma mascara no chão.
sábado, 3 de agosto de 2013
Estar no lodo é oportunidade, se for pra estar na lama, reine.
Reine sobre a decomposição dos corpos na vala.
Sobre a sujeira dos porcos.
Eu vou reinar, vou ser as células vivas de um tecido morto.
A divindade do anjo que cai.
Eu cai, quando ganhei asas.
E consigo ser a melhor coisa desse mundo abandonado.
Reine sobre a decomposição dos corpos na vala.
Sobre a sujeira dos porcos.
Eu vou reinar, vou ser as células vivas de um tecido morto.
A divindade do anjo que cai.
Eu cai, quando ganhei asas.
E consigo ser a melhor coisa desse mundo abandonado.
sexta-feira, 26 de julho de 2013
Represalha
Eu senti agua subir dos meus pulmões
Selei meus olhos, com a força da correnteza
Como quem cimenta o mar.
Represa, aprisionei um rio
Fechei meus olhos
Cascata, os pulmões cheios d'água
Me afoguei.
Mas não caiu uma gota.
Selei meus olhos, com a força da correnteza
Como quem cimenta o mar.
Represa, aprisionei um rio
Fechei meus olhos
Cascata, os pulmões cheios d'água
Me afoguei.
Mas não caiu uma gota.
terça-feira, 23 de julho de 2013
Delirei Versos - Três
Alcanço antes de ir embora.
Agarro pela sujeira dos pés.
Deslizo pelo seu corpo inteiro.
Para arrancar sua cabeça com os dentes.
Porque sou fraca, mas não sou frágil.
Sou doce, mas não sou dócil.
Sou vulgar, mas não sou vil.
É errando que se acerta.
Eu sou um erro.
E me exerço bem.
O bastante pra correr.
Com os calcanhares abertos.
Agarro pela sujeira dos pés.
Deslizo pelo seu corpo inteiro.
Para arrancar sua cabeça com os dentes.
Porque sou fraca, mas não sou frágil.
Sou doce, mas não sou dócil.
Sou vulgar, mas não sou vil.
É errando que se acerta.
Eu sou um erro.
E me exerço bem.
O bastante pra correr.
Com os calcanhares abertos.
-
.-.,
bonito,
delirios,
ela,
espontâneo
Saber de algumas coisas, me conhecer no intimo, as vezes me da um pouco de receio em falar. Falar de mim, saber de coisas sobre mim, sobre o que eu penso ou sobre o que eu faço, que se ditas em voz alta. Tenho medo de ter a confirmação de que sou única, não de um jeito bom, não de um jeito especial. Sou única de um jeito, que faz com que eu não me encaixe em nada, que eu já tenha visto até hoje. Por mais que eu tenha me espremido, tentando caber nas coisas.
Única de um jeito que eu sei, que nunca vou fazer parte de nada, não inteiramente, nem perfeitamente.
Mas te ouvir falar, e saber que você ouve o que eu digo. Me faz querer pensar em me espremer mais um pouquinho. Pra te ouvir de uma maneira mais próxima e única.
Única de uma maneira menos nociva, única de uma maneira minha. Saber que sou ouvida é um sorriso insano no meio de uma crise de choro. Um único sorriso insano.
Única de um jeito que eu sei, que nunca vou fazer parte de nada, não inteiramente, nem perfeitamente.
Mas te ouvir falar, e saber que você ouve o que eu digo. Me faz querer pensar em me espremer mais um pouquinho. Pra te ouvir de uma maneira mais próxima e única.
Única de uma maneira menos nociva, única de uma maneira minha. Saber que sou ouvida é um sorriso insano no meio de uma crise de choro. Um único sorriso insano.
quinta-feira, 18 de julho de 2013
quarta-feira, 17 de julho de 2013
Delirei Versos - Dois
sexta-feira, 12 de julho de 2013
Kali
Me tornei uma péssima companhia, mais do que o normal, mais do que o habitual. Atualmente, ando ausente de mim. E tudo que digo ou faço, tem um grito vazio e silencioso, de quem não se pertence.
Não me reconheço no espelho, não me reconheço em espirito.
Eu ando acorrentada a muita coisa, feri meus tornozelos nas correntes, feri meus pulsos nas algemas.
Meu andar é mais lento, meus olhos mais secos, meus lábios mais largos, meu sorriso mais caos. Meus sonhos, mais distantes. Tão distantes quanto eu, que estou ausente.
Não me reconheço no espelho, não me reconheço em espirito.
Eu ando acorrentada a muita coisa, feri meus tornozelos nas correntes, feri meus pulsos nas algemas.
Meu andar é mais lento, meus olhos mais secos, meus lábios mais largos, meu sorriso mais caos. Meus sonhos, mais distantes. Tão distantes quanto eu, que estou ausente.
quarta-feira, 10 de julho de 2013
terça-feira, 9 de julho de 2013
Calculadora
Acho que é isso, no fim das contas, é só um amontoado de sonhos absurdos, que quebram com facilidade. Como todo o resto das coisas, que o ser humano inventa. É uma invenção, que agente cria pra sofrer, e preencher um vazio que existi lá desde que o mundo é mundo. Mas que agente deu um nome a pouco tempo e acha que inventou.
-
agora,
contradição,
eu gosto,
faz sentido,
fim,
Frio,
Hoje
quinta-feira, 27 de junho de 2013
Não posso dar nome a minha dor, não posso dar rosto a minha dor. Não posso oferecer frestas nem cantos, nem compartimentos, nem canções. Não posso alimentar nem cuidar da minha dor. Vou manter minha dor indigente, vou manter minha dor desabrigada. Por que ela volta, sempre volta. Mesmo sem ter pra onde voltar. Minha dor me deixa e volta.
quarta-feira, 19 de junho de 2013
segunda-feira, 17 de junho de 2013
Cotidiano
Gosto de pensar que esbarrei em você e não pedi desculpas. Justifica a cara amarrada. Não me desculpei, para não me entregar ao impulso moral, e admitir a culpa de um acidente.
Se voltei seus alhos a mim foi por acidente, eu sei, acontecem. E no fim, eu sei do obvio, só fico me perguntando, por que você pensa que deve me avisar dessas coisas? Dessa coisa de que não existe semelhança entre nos dois. Eu sei disso, é obvio.
Talvez devia ter lhe avisado pra olhar pra frente, acidentes acontecem, mas podem ser evitados. Foi sem intenção que esbarrei em você, sem intenção nenhuma. Posso me isentar de qualquer culpa e seguir a diante, o encontrão que demos na calçada, é coisa de cidade grande e de gente com pressa.
Pra evitar mais inconvenientes, vou até o próximo farol, atravessar a rua.
Se voltei seus alhos a mim foi por acidente, eu sei, acontecem. E no fim, eu sei do obvio, só fico me perguntando, por que você pensa que deve me avisar dessas coisas? Dessa coisa de que não existe semelhança entre nos dois. Eu sei disso, é obvio.
Talvez devia ter lhe avisado pra olhar pra frente, acidentes acontecem, mas podem ser evitados. Foi sem intenção que esbarrei em você, sem intenção nenhuma. Posso me isentar de qualquer culpa e seguir a diante, o encontrão que demos na calçada, é coisa de cidade grande e de gente com pressa.
Pra evitar mais inconvenientes, vou até o próximo farol, atravessar a rua.
-
*-*,
agora,
bonito,
cansaço,
eu gosto,
eu terminei,
faz sentido,
fim,
Hoje,
Imaginação,
me disseram,
não faz sentido,
nome,
novo,
outros
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